Dia de folga. Depois de tanto tempo de horas extras e afins. O dia está lindo, mas aqui em Macondo um dia de sol queimando pode significar um belo toró dois segundos depois. Ninguém merece chuva no dia de folga. Alguém me disse. Concordo. Deixo esse pensamento num compartimento escuro da mente e penso no que fazer. As opções de Macondo me deixam entusiasmada. Quero tudo e nada. Almoço num bom restaurante, vejo coisas para casa, vôo pelas lojas de roupas e utensílios legais que você nunca vai usar, mas que precisa muuuito. Encontro um cortador de ovo (cozido). Quem não quer um cortador de ovo? Eu quero. Eu quero. Pena que deixei meu cartão de crédito em casa.
Depois de um dia com cheiro de férias vejo um filme meio cult demais para a ocasião e adivinha? A água me espera do lado de fora do cinema. Espremo-me debaixo de um pequeno toldo tentando desviar dos pingos pesados que me ensopam. Ninguém merece chuva no dia de folga. Engraçado, a água que cai do céu nos faz sentir vivos e ao mesmo tempo, estúpidos. Por que sempre me recuso a acreditar no meu instinto e deixo largado no canto o tal do guarda-chuva? Chega o meu meio de transporte, que me liberta de minhas conjecturas. Vejo como sou querida! Todos me apertam e me ajudam a entrar no ônibus. Nem preciso andar! Veja que maravilha! Adoro Macondo. O ônibus lotado tem suas vantagens. É um reconhecimento de que você não está velho, afinal nenhum velho seria tão maleável. Desviar daquele monte de mulher com bolsas e sacolas e de jovens saindo do colégio e imitando o Tarzan? Não, não é para qualquer um. De repente, um senhor entra sem alarde, mas movimenta todo o ônibus. Ele quase cai em cima de uma dona e continua cambaleante rumo à catraca.
Um chapéu de chaves, uma barba por fazer, uma camisa regata azul, marcando uma barriguinha (inha?) e um cheiro característico que com certeza tem relação com sua protuberância frontal. Ele chega, encara o cobrador tira papéis com fotos de animais e cores diversas e escolhe a arara. O cobrador, sem muita firmeza, revela que não tem troco. O senhor dá de ombros: O que se há de fazer? Ele se coloca na frente da catraca e aperta uma mocinha que está sentada ao lado. A cada balanço ele desperta novos olhares e pressiona as bolsas que carrega contra a mocinha, que não tem expressão alegre. Os dois se encaram e uma pequena nuvem negra os rodeia. Mais uma curva e ele ganha (não sei se pelo cheiro ou pelo aperto) e ela se levanta e deixa o local. Os dois trocam olhares finais enquanto ele se senta. Ela passa a catraca e ele permanece com seu olhar inebriado e sorriso vitorioso. Quanto à passagem? Não sei se ele pagou ou não. Desci antes.
Depois de um dia com cheiro de férias vejo um filme meio cult demais para a ocasião e adivinha? A água me espera do lado de fora do cinema. Espremo-me debaixo de um pequeno toldo tentando desviar dos pingos pesados que me ensopam. Ninguém merece chuva no dia de folga. Engraçado, a água que cai do céu nos faz sentir vivos e ao mesmo tempo, estúpidos. Por que sempre me recuso a acreditar no meu instinto e deixo largado no canto o tal do guarda-chuva? Chega o meu meio de transporte, que me liberta de minhas conjecturas. Vejo como sou querida! Todos me apertam e me ajudam a entrar no ônibus. Nem preciso andar! Veja que maravilha! Adoro Macondo. O ônibus lotado tem suas vantagens. É um reconhecimento de que você não está velho, afinal nenhum velho seria tão maleável. Desviar daquele monte de mulher com bolsas e sacolas e de jovens saindo do colégio e imitando o Tarzan? Não, não é para qualquer um. De repente, um senhor entra sem alarde, mas movimenta todo o ônibus. Ele quase cai em cima de uma dona e continua cambaleante rumo à catraca.
Um chapéu de chaves, uma barba por fazer, uma camisa regata azul, marcando uma barriguinha (inha?) e um cheiro característico que com certeza tem relação com sua protuberância frontal. Ele chega, encara o cobrador tira papéis com fotos de animais e cores diversas e escolhe a arara. O cobrador, sem muita firmeza, revela que não tem troco. O senhor dá de ombros: O que se há de fazer? Ele se coloca na frente da catraca e aperta uma mocinha que está sentada ao lado. A cada balanço ele desperta novos olhares e pressiona as bolsas que carrega contra a mocinha, que não tem expressão alegre. Os dois se encaram e uma pequena nuvem negra os rodeia. Mais uma curva e ele ganha (não sei se pelo cheiro ou pelo aperto) e ela se levanta e deixa o local. Os dois trocam olhares finais enquanto ele se senta. Ela passa a catraca e ele permanece com seu olhar inebriado e sorriso vitorioso. Quanto à passagem? Não sei se ele pagou ou não. Desci antes.

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