domingo, 21 de junho de 2009

Sem querer comentar, mas já comentando...

É evidente que os anos de ditadura deixaram feridas que jamais se fecharão, contudo, alguns esqueceram que as atitudes radicais foram as grandes vilãs do período e usam do radicalismo para tratar de temas que já deveriam ter sido superados.

A briga ferrenha para evitar a censura a qualquer custo contamina alguns jornalistas que equivocadamente resistem à criação de um conselho e, intencionalmente (ou não), atrasam a regulamentação de uma profissão para evitar uma delegação de responsabilidade e ética. A falta de mobilização - e aqui faço minha mea culpa - abre brechas para decisões como a tomada pelos ministros do STF, liderados por Gilmar Mendes.

Mas não se abalem! Prestem atenção na justificativa do voto e abram suas mentes! Posso ser o que eu quiser, afinal a Constituição me assegura o direito ao trabalho.

Posso ser médica porque eu sei fazer curativo. Posso ser engenheira porque sou craque nos predinhos de lego. Posso ser chef porque todo mundo adora a minha lasanha. Posso ser atriz, porque na minha TPM choro como ninguém. Posso ser veterinária porque sei dar comida, banho e fazer um carinho no bichinho. Posso ser jornalista porque sei ler e escrever. Posso ser magistrada porque sei tomar decisões ridículas. Costureira? Não, não posso senhor Gilmar, não sei nem pregar um botão...

Obrigada STF por desprezar e ignorar a relevância dos meus quatros anos de estudo! Obrigada por generalizar o que faço – isso abre precedentes para que eu faça o mesmo com as demais profissões. E como diria Elvis: And now the end is near...

Em tempo: senhor ministro Cezar Peluso, o senhor disse que o “curso de jornalismo não elimina os riscos do mau uso da profissão”. Engraçado... Ficou na minha cabeça uma pergunta... Que curso elimina esses riscos?

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