Depois de uma baladinha, ensinei a um casal de amigos meus que me dava carona como se chegava na minha casa: “depois do quinto morador de rua vire à esquerda”.
Seria trágico se não fosse cômico. Ou é o contrário? A verdade é que tem muuuuito morador de rua no meu bairro. E faz tempo que eu queria escrever sobre o tema. Na verdade este não é um ensaio ou uma crítica social. Não quero aqui falar que o governo é ineficiente e a população é hipócrita. Só comentar cenas que vejo todos os dias.
Alguns moradores me são familiares, afinal, vivem no meu bairro, na minha área como gosto de dizer: tem o mudinho da padaria, o gordinho do fim de semana, a senhorinha, a doida que cospe nos outros, o cantor... E cachorros, muito deles. Tem uma (ou um) que se chama pororoca. Fofa. Tem coleira e pratinho de comida. Pequenina e de um pêlo bem escuro. E ela é muito expressiva. Tem uma carinha fora do normal. Juro que quando o seu dono está bêbado ela faz uma cara de vergonha. Sério. Não fosse a cor preta até diria que fica ruborizada.
Tempo atrás, uma senhora saiu do mercado e deu carne moída para o cachorro de um senhor que estava sentado na calçada. Duas cenas inusitadas em uma só: o cachorro, que, ao contrário do que pensei, não atacou a carne. Ele a cheirava, bem desconfiado por sinal. Acho que ele pensou naquele ditado: quando a esmola é demais, o santo desconfia... Nem sei se comeu. A outra foi o homem. Ele não ganhou nenhuma comida da dona. Na hora, lembrei-me daquela propaganda que um homem põe uma fantasia de cachorro para ganhar algum para encher a barriga, se recorda?
E esses dias? Tava a caminho do trabalho e tinha uma “reunião” rolando na calçada. Na parede do muro, vários LPs encostados. O grupo olhava animado para os discos de vinil e “debatia” calorosamente. Quando cheguei mais perto ouvi a tirada: esse aí é o ABBA, pô, você não conhece? Fez o maior sucesso um tempo atrás. Um tempo atrás? Esse aí já perdeu a noção do tempo mesmo. Ou já tinha tomado uma dose no café da manhã...
E para finalizar, estava eu, a caminho do metrô, quando vi o tiozinho metido a Raul Seixas. Sentado numa mala ele tocava algo no seu violão (como não conheço muito de música não sei se ele estava tocando mesmo ou só passando os dedos no instrumento). Uma melodia meio parada, talvez triste. O cenário ficava completo com um casal de jovens sentado ao lado dele fazendo uma cara melancólica... Seria trágico se não fosse cômico. Ou é o contrário?
29+ Architektur Oder Bauingenieur Images
Há 4 anos

Nenhum comentário:
Postar um comentário